domingo, 7 de agosto de 2011



O copo de Vodka em cima de um jornal marcava um círculo sobre a notícia de que as drogas estavam mais presentes em sua vida do que seus próprios familiares.
'Fodam-se, Fodam-se' - gritava lançando o jornal pela janela, virou o copo e tomou um porre de veneno. Deitou-se em sua cama enquanto olhava o teto girar, via suas fotos antigas, quando ainda usava meias com detalhes rosa. Nada passava por sua cabeça, nem mesmo as lembranças que antes ainda a visitavam com mais frequencia.
Olhos cerrados e sorriso no canto dos lábios procurava ao lado do travesseiro seu maço de cigarros, amaçado, acendia e soltava a fumaça pelo nariz.
' Fodam-se!' - sorria pra ninguém, ou por alguém.
Levantou-se e ligou o rádio, deixou tão alto que os papéis que estavam em cima do aparelho tremiam vez ou outra, mas aos seus olhos tudo tremia, tudo temia.
O relógio ja marcava 03h00 da manhã e o som ecoava por todos os quartos vazios e escuros.
Cantou por horas, todas suas músicas, as vezes até se esquecia de alguma parte; ria de si mesma e tornava a começar.
De manhã o rádio ainda tocava, mas estava tocando uma única música, repetidamente, e a mesma frase:  
"They tried to make me go to rehab but I said 'no, no, no'..."
Mas de seus lábios nada se ouvia, seu corpo nada respondia.
E por algumas horas ainda se tocava a mesma música, a mesma tentativa de salvação em vão.
E do dia se fez a noite mais longa e o sono mais eterno que alguém poderia desejar a si mesmo;
 
 
 
 "Pessoas como eu vivem pouco, mas vivem como querem!"
 
Amy Winehouse