domingo, 4 de março de 2012
O relógio parou, deve ser amor.
Ela sentia medo, essa era a explicação para toda a falta de concentração.
Eu senti que seu coração estava apertado. Ali, sentada no sofá, ela procurava explicar todos os erros, os sonhos, as vontades, as cores das paredes, os livros não lidos e o amor abandonado.
Eu, por fim, desisti de ouvi-la, tudo parecia estar fora de ordem, fora de sintonia.
Antes que eu pudesse me levantar seus escuros olhos se encheram de lágrimas e suas mãos evitavam que as mesmas escorregassem por todo seu delicado rosto.
Eu estava ali, bem em frente ao amor escondido, ao amor proíbido.
Ela, insegura, queria mostrar que me amava e que as cartas que escreveu eram sinceras.
O relógio parecia parado. Ela tinha me pedido 60 segundos, uma confissão de duração tão curta teria algum efeito? Os mais sensatos e racionais saberiam que isso é insignificante, que ninguém consegue mudar um passado ou construir um futuro com apenas 60 segundos. Mas os loucos considerariam isso uma eternidade, o suficiente para mudar uma vida inteira, mudar pensamentos e dispertar sentimentos adormecidos.
Ela me olhou, olhou de novo e sorriu tentando esconder todo o nervosismo e o mal-estar.
Eu refleti e senti cada palavra dita.
Me calei sim, mas amei também.
Meu coração estava tão cheio de armaduras, e eu tão segura de minhas escolhas que me vi de pernas bambas quando senti o cheiro do seu cabelo.
O coração engana mesmo.
Olhei para o relógio e ele marcava a mesma hora.
Consequência das pilhas gastas? Seria os ponteiros travados? Seria a poeira?
Foram os 60 segundoas mais longos da minha vida; Então descubro que eu estava longe de ser racional, sensata.
Amor louco, louco amor.
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