quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um violão tocado pelo coração.

No boteco uma luz fraca e um violão encostado no palco.
Pessoas de todas as raças e religião.
Em um canto três homens discutiam sobre a politíca, esvaziavam rápido a garrafa de cerveja e faziam sinal com a mão para que a garçonete trouxesse outra bem gelada.
Ja eram mais de 3hr00 da manhã, algumas vadias sentavam-se ao lado dos empresários em busca de diversão. Umas gordas e outras magras de mais. Pecavam por excesso de fartura ou pelo contorno que os ossos faziam nas costas. Bocas bem pintadas e roupas curtas, sentavam nas mesas onde a luz mais alcançava e ali ficavam por horas esperando o princípe que pagaria suas contas acumuladas no final do mês;
Um Italiano que só reclamava de todas a bebidas e um pedreiro que ja estava irritado com a voz dele.
Ninguém notava que o palco aguardava por uma garota que tocaria até o dia amanhecer. Todos descarregavam ali, naquela mesa ou no balcão seus milhares de problemas, suas frustrações, sua infidelidade, suas brigas e seus amores passados.
Todas as noites eram os mesmos clientes, com os mesmo defeitos e os mesmos problemas. Tudo era igual de mais.
Um microfone velho e com um som baixo acabava de ser ligado.
Ela sentou em uma cadeira baixa, colocou sua garrafa de água no chão, respirou fundo e deu a primeira nota, um Sol maior. Talvez fosse esse tipo de luz que estava faltando lá, uma luz viva, uma voz sadia, um Sol  meio a tanta escuridão.
As pessoas que ali estavam olharam para trás, com um olhar interrogativo e solitário.
Ela sorriu para si mesma e começou.
Doce voz da madrugada.
Comemoravam os Deuses e os anjos diziam amém, pois um deles resolveu descer e fazer a treva virar Céu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Quero não só querer, quero ser!



Eu quero ver sorrisos para retibui-los
Quero beijos carinhosos, abraços quentes, palavras confortantes.
Quero respeito e igualdade.
Quero andar de mãos dadas e casar de terno.
Quero corpos misturados, mais iguais.
Quero cabelos longos e unhas vermelhas acariciando eles.
Quero um jantar a Luz de velas e só calcinhas no meu varal.
Quero que entendam que não vou mudar e que nem vou tentar.
Quero que respeitem o ser humano como ele é...
Sendo Homem com Homem ou Mulher com Mulher.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quando Tudo for Paz.

                                    
São tantas as mãos para acolher e tantas para bater
De inicío até me assustei, mais hoje me acostumei com os tapas que nos empurram para frente.
Dizer que estou totalmente realizada profissionalmente é mentira, há tanto a resolver, arrumar e viver que me falta ânimo as vezes, quase na maioria das vezes.
Senti um frio essa madrugada, parecia nevar la fora, mais o céu carregado de estrelas me tirava essa sensação de mal-estar. Uma vontade devastadoura de sumir e aparecer de novo, sentir saudades e matar ela logo em seguida. Eu me sentia tão estranha e tão fora de mim, parecia um mundo anormal ao que eu pertencia, tudo tem seu jeito e solução, mais e eu?!
Minha cabeça anda um pouco cheia de espaço e eu não consigo suplir isso, fico frustrada e pego o violão, toco notas e mais notas sem sentido, tanto quanto meus pensamentos. Descarrego a raiva, frustração, tristeza, insatisfação no pobre violão, que nada me fez, aliás que tudo me faz, mais pelo lado positivo.
Eu pareço estar crescendo tarde de mais, me despedindo do Baú de brinquedos velho e empoeirado.
Coloco roupas menos coloridas e esqueço a fantasia do livro de contos, mais talvez tarde de mais.
Mais logo em seguida vem a noite e de novo a manhã, o amanhã.
E eu fico aqui tão perdida em mim, e com tanta falta de algo que nem perdi ainda.
Ta, talvez seja mesmo da vontade de todos que eu continue do lado do Baú, com as roupas meio pequenas e ja apertadas contando contos e encantando a mim mesma, iludindo e fingindo que la fora tudo é paz, enquanto o mundo se veste para a guerra, guerra contra a sua própria raça, matança de seus filhos e bombas em suas familias.
Quando meu livro acabar eu começo de novo, até que volte a ser dia,  até que o amor fale bem mais alto que a ignorância. E ela?! Eu protejo e deixo bem do meu lado, só posso sair de mãos dadas la fora quando tudo for paz.