No boteco uma luz fraca e um violão encostado no palco.
Pessoas de todas as raças e religião.
Em um canto três homens discutiam sobre a politíca, esvaziavam rápido a garrafa de cerveja e faziam sinal com a mão para que a garçonete trouxesse outra bem gelada.
Ja eram mais de 3hr00 da manhã, algumas vadias sentavam-se ao lado dos empresários em busca de diversão. Umas gordas e outras magras de mais. Pecavam por excesso de fartura ou pelo contorno que os ossos faziam nas costas. Bocas bem pintadas e roupas curtas, sentavam nas mesas onde a luz mais alcançava e ali ficavam por horas esperando o princípe que pagaria suas contas acumuladas no final do mês;
Um Italiano que só reclamava de todas a bebidas e um pedreiro que ja estava irritado com a voz dele.
Ninguém notava que o palco aguardava por uma garota que tocaria até o dia amanhecer. Todos descarregavam ali, naquela mesa ou no balcão seus milhares de problemas, suas frustrações, sua infidelidade, suas brigas e seus amores passados.
Todas as noites eram os mesmos clientes, com os mesmo defeitos e os mesmos problemas. Tudo era igual de mais.
Um microfone velho e com um som baixo acabava de ser ligado.
Ela sentou em uma cadeira baixa, colocou sua garrafa de água no chão, respirou fundo e deu a primeira nota, um Sol maior. Talvez fosse esse tipo de luz que estava faltando lá, uma luz viva, uma voz sadia, um Sol meio a tanta escuridão.
As pessoas que ali estavam olharam para trás, com um olhar interrogativo e solitário.
Ela sorriu para si mesma e começou.
Doce voz da madrugada.
Comemoravam os Deuses e os anjos diziam amém, pois um deles resolveu descer e fazer a treva virar Céu.

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