sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Bailarina e Soldado de Chumbo ♥
Com as malas já arrumadas ela fazia sinal com a mão. Se despedia do leiteiro insegura da decisão tomada.
Sentia seu coração acelerado, mas não era em ritmo de carnaval, era como se estivesse velando seu próprio corpo, em volta as velas, flores e alguém dizendo com certa dor que a saudade ja era grande.
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Do outro lado da cidade, em uma lanchonete de esquina, estava eu, com a única foto dela que possuía. Minha pupíla dilatada delatando a escolha e deletando, com certa repulsa, o medo.
Ensaiei, por várias vezes, tomar aquele maldito café amargo, que por sinal já estava tão sem vida quanto as aves que voavam, rumo ao horizonte, alegando que logo o céu caíria em prantos pela partida da minha mulher amada.
Poderia eu, desejar algo que não fosse seus beijos?
Poderia eu, desejar algo que não fosse suas extremidades, intimidades...suas verdades?
Deixei o café frio e umas notas de gorjeta e saí.
Quando passei pela porta o sino tocou, revelando que ali partia alguém decidido, apaixonado, impulsivo, disposto ao sacrifício do seu orgulho.
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Ela sentia que o vento não soprava a seu favor, logo apareceria as primeiras gotas vindas do céu, já que as de seus olhos caíam descontroladamente a um certo tempo.
"Deus, faça o melhor por mim!" - Sua fé movia montanhas, encorajava os fracos e fazia dela uma mulher firme.
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No táxi, eu mascava um chiclete já sem gosto, que achei em meu bolso junto com algumas moedas antigas e bilhetes do metrô.
Meus olhos percorriam e secavam toda a cidade, na ânsia de um breve e radical reencontro.
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O ônibus se preparava para dar um ponto final para todo o sofrimento.
Ainda com o coração apertado ela subiu o 1° degrau e antes que pudesse dar o 2° passo alguém segurou sua mão e falou alto:
" Por favor Bailarina, não abandone seu Soldado de Chumbo.
Não teria graça nenhuma venerar sua caixinha de música sem você pra dançar nela."
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